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Uma canção de Milton Nascimento foi o estalo. Anos depois, uma turnê ao lado de Jacob Collier mudou o rumo da história outra vez. Entre esses dois momentos está boa parte da trajetória de MARO, cantora e compositora portuguesa que volta ao Brasil em novembro para apresentar o álbum “SO MUCH HAS CHANGED”, gravado integralmente em Alambari, no interior de São Paulo.
A primeira virada aconteceu aos 19 anos. Embora “Cais” já fizesse parte de sua vida, foi ao ouvir novamente o clássico de Milton Nascimento que MARO entendeu que queria dedicar a própria vida à música. “Por alguma razão, naquele momento em que a ouvi de novo, com 19 anos, entendi que nada mais me faz sentir tanto quanto a música, e isso foi a porta de entrada para tudo o que veio a seguir”, conta ela à Billboard Brasil.
A segunda veio em 2019, quando desembarcou pela primeira vez no Brasil como integrante da banda de Jacob Collier. A viagem rendeu mais do que apresentações: foi nela que conheceu o músico Pedro Altério e sua família, relação que acabaria influenciando diretamente seu processo criativo. Desde então, a artista passou a voltar ao país regularmente para escrever, gravar e colaborar com músicos brasileiros — um caminho que culminou em seu novo álbum.
A seguir, MARO fala sobre a influência da música brasileira em sua carreira, a energia que encontrou no país e os artistas com quem ainda sonha dividir o estúdio.
Você já cantou com nomes como Milton Nascimento, ANAVITÓRIA, Rubel Marina Sena e Vitor Kley. Quem ainda te brilha os olhos para gravar?
Nossa, tem tanto músico incrível ainda para conhecer e partilhar momentos… Talvez Caetano Veloso, Gilberto Gil ou Chico Buarque, que são três dos artistas que acabaram moldando muito o meu mundo musical.
O que mais te surpreendeu quando começou a conviver de perto com brasileiros?
Eu já fui para o Brasil com muita ideia do que era. Sempre tive muito interesse e fui querendo conhecer mais e mais. No entanto, o que foi novo foi algo que eu não podia ter visto num livro, num filme ou na internet: a energia. Há algo na energia do país e do povo brasileiro que é diferente e foi isso o que mais me surpreendeu. Lembro-me muito bem de ouvir o português do Brasil, que eu sempre achei bonito demais. Portugal sempre esteve em contato com a cultura brasileira. Cresci vendo novelas, cinema, lendo livros brasileiros, acompanhando o Ayrton Senna, a Gisele Bündchen… É infinito o tanto que recebemos do Brasil.
Você acredita que a música aproxima Brasil e Portugal de uma forma única?
Com certeza. A música sempre foi a grande linguagem universal, com um poder de união inegável. Eu já sentia que ela aproximava Portugal e Brasil, e talvez hoje, com a internet, isso aconteça ainda mais.
Existe algo que a MARO atual ainda não conseguiu transformar em canção?
Com certeza muita coisa. Sempre há muito por fazer e o universo criativo é infinito. Felizmente, neste momento, não sinto essa pressão. Só a vontade de continuar explorando.
Fonte: Billboard Brasil