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Fora da curva de arrefecimento das doenças respiratórias, o rinovírus apresenta tendência de aumento em Minas Gerais, principalmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. O alerta consta no boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (15) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Principal causador do resfriado comum, o vírus está entre os agentes infecciosos mais frequentes na infância e pode provocar complicações, sobretudo em crianças pequenas e naquelas com doenças respiratórias preexistentes, como asma e bronquite.
Apesar da tendência de crescimento, o cenário não é considerado atípico pelos pesquisadores. Segundo Leonardo Bastos, pesquisador da Fiocruz, a elevação ocorre em um período de baixa atividade dos vírus respiratórios no país e acompanha o comportamento habitual do rinovírus, cuja circulação se mantém ao longo de todo o ano, com oscilações. O aumento também foi identificado em São Paulo e no Paraná.
“Não é nada fora do comum. O rinovírus tem um comportamento um pouco diferente dos outros vírus respiratórios, como se fosse uma epidemia invertida. Ele fica relativamente constante ao longo do ano, com leves subidas e descidas”, explicou Bastos ao O TEMPO.
De acordo com o pesquisador, a maior evidência na circulação do agente infeccioso neste momento também está relacionada à redução da atividade de outros vírus, o que faz com que o rinovírus ganhe destaque no cenário epidemiológico.
A análise mais recente do InfoGripe considera a Semana Epidemiológica (SE) 40, entre 4 e 10 de outubro. O boletim anterior já havia identificado sinais de crescimento da doença em Minas. Embora a tendência exija acompanhamento, Bastos ressalta que os dados não indicam, até o momento, uma situação de maior gravidade. “Ainda não é um aumento preocupante. É um cenário padrão”, afirma.
O pesquisador explica que uma situação epidemiológica mais delicada pode surgir quando diferentes vírus respiratórios apresentam crescimento simultâneo, aumentando a pressão sobre os serviços de saúde. “O cenário fica mais preocupante quando temos dois vírus circulando com intensidade ao mesmo tempo, com duas epidemias. Não é o caso agora”, diz.
Ainda assim, a Fiocruz recomenda que a população mantenha os cuidados preventivos e que os grupos prioritários atualizem a caderneta de vacinação. As vacinas não protegem contra todos os agentes responsáveis pelas infecções respiratórias, como o rinovírus, mas ajudam a reduzir o risco de complicações provocadas pelos vírus contemplados nas estratégias de imunização.
Para as gestantes, a orientação inclui a imunização contra o vírus sincicial respiratório, conforme as recomendações do calendário vacinal. “No caso do vírus sincicial respiratório, por exemplo, a vacinação durante a gestação tem como objetivo proteger os bebês nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade a formas graves da doença”, ressalta Bastos.
O rinovírus é responsável por grande parte dos resfriados comuns, geralmente caracterizados por coriza, congestão nasal, espirros, tosse e dor de garganta. Na maioria dos casos, a infecção evolui de forma leve e autolimitada, sem necessidade de tratamento específico. Isso não significa, porém, que o vírus seja inofensivo para todos os pacientes.
Crianças pequenas, especialmente bebês, estão entre os grupos mais vulneráveis às complicações das infecções respiratórias. O rinovírus pode provocar episódios recorrentes e agravar condições como asma, além de estar associado a quadros de sinusite e otite média. O risco exige atenção redobrada em recém-nascidos, crianças de até quatro anos e pacientes com problemas de saúde preexistentes.
Os dados do InfoGripe reforçam a importância de observar o comportamento das doenças respiratórias conforme a faixa etária. Nas últimas oito semanas epidemiológicas analisadas, a incidência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) permaneceu mais elevada entre crianças de até dois anos.
A SRAG é uma complicação que pode exigir hospitalização e está associada a diferentes agentes infecciosos, entre eles o rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR), os vírus influenza e o Sars-CoV-2, causador da COVID-19. A identificação do agente responsável depende de avaliação clínica e, quando indicado, de exames laboratoriais.
O Brasil contabilizou 161.053 notificações de SRAG ao longo deste ano até o período considerado pelo levantamento. Desse total, 86.534 casos, o equivalente a 53,7%, tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Outros 58.143 registros (36,1%) apresentaram resultado negativo, enquanto parte das notificações ainda aguardava conclusão dos exames.
Entre os casos positivos acumulados no ano, o vírus sincicial respiratório respondeu por 40% das identificações, seguido pelo rinovírus, com 32,5%. A influenza A representou 16,2% dos registros, enquanto a influenza B correspondeu a 5,5%. O Sars-CoV-2 foi identificado em 3,8% dos casos.
Fonte: otempo.com.br