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Entenda por que remédios para emagrecer exigem cuidado extra na gestação e na amamentação, segundo a ginecologista Dra. Mariana Amora Cocuzza
As chamadas canetas emagrecedoras, que incluem medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 e moléculas relacionadas, representam um avanço importante na medicina metabólica. Elas auxiliam no controle do diabetes tipo 2, na resistência à insulina e no tratamento da obesidade, com benefícios cardiovasculares em pacientes selecionados.
No entanto, a gestação não é momento para intervenções voltadas à perda de peso. Durante a gravidez, o foco deve ser o desenvolvimento adequado do bebê e a segurança da mãe. E, nesse contexto, esses medicamentos são contraindicados.
Os análogos de GLP-1 atuam reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento gástrico. Embora esses mecanismos sejam úteis no tratamento metabólico, eles não foram desenvolvidos para uso durante a gestação.
Estudos em modelos animais demonstraram possíveis riscos ao desenvolvimento fetal, incluindo alterações no crescimento. Em humanos, os dados ainda são limitados, mas a ausência de evidências robustas de segurança já é suficiente para contraindicar o uso.
Além disso, a própria perda de peso intencional durante a gravidez não é recomendada, salvo situações muito específicas e sempre sob orientação médica rigorosa. O ganho de peso gestacional adequado faz parte do processo fisiológico da gestação.
Mulheres em idade fértil que utilizam esses medicamentos precisam discutir planejamento reprodutivo com seu médico. A orientação deve ser individualizada. Engravidar enquanto faz uso da medicação exige avaliação médica imediata para definir a melhor conduta.
Esse cuidado é particularmente importante porque muitas gestações não são planejadas. A conversa sobre contracepção e intenção reprodutiva deve fazer parte do acompanhamento de mulheres que utilizam esses fármacos.
No período pós-parto, especialmente durante a amamentação, a prioridade continua sendo a segurança do bebê. Não há evidências suficientes de que esses medicamentos sejam seguros durante a lactação e, por precaução, seu uso não é recomendado nesse período.
Além disso, a fase pós-parto envolve intensas mudanças hormonais, privação de sono e demandas emocionais significativas. O controle de peso deve ser abordado de forma gradual, com foco em alimentação equilibrada, atividade física orientada e suporte multiprofissional.
Somente após o término da amamentação e com avaliação clínica adequada pode-se discutir, caso haja indicação, a retomada do tratamento medicamentoso.
As canetas emagrecedoras são ferramentas valiosas quando bem indicadas. Mas gestação e lactação representam fases únicas, nas quais a prudência deve prevalecer. O cuidado individualizado, o planejamento e o acompanhamento médico são essenciais para proteger duas vidas ao mesmo tempo.
Dra. Mariana Amora Cocuzza – CRM 100.748
Ginecologia e obstetrícia
Graduação e pós-graduação na Faculdade de Medicina da USP
Fonte: jovempan.com.br