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Belo Horizonte — Um grupo suspeito de fraudar mais de R$ 86 milhões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Minas Gerais usava “dublês biométricos” para receber benefícios em nome de pessoas que nunca existiram. O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 35 investigados pelo esquema, que teria funcionado por mais de 20 anos.
O esquema envolvia o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade. Conforme a denúncia, os valores eram recebidos durante anos e, em alguns casos, décadas.
A fraude, segundo o MPF, começava no registro civil. Os investigados promoviam registros tardios de nascimento de pessoas inexistentes, com o uso de testemunhas e declarantes falsos ligados ao próprio grupo.
Para cumprir as etapas presenciais, o grupo recorria aos chamados “dublês biométricos”. Os investigados se apresentavam em repartições públicas e realizavam cadastros em nome dos supostos beneficiários.
Outros integrantes forneciam endereços e telefones, assinavam procurações e ficavam responsáveis pelos cartões bancários, saques em dinheiro e transferências dos valores desviados.
Para o MPF, os investigados formavam uma organização criminosa estruturada e com divisão de funções. A denúncia aponta quatro principais áreas de atuação dentro do esquema.
Outro núcleo atuava junto ao INSS, fazendo atualizações cadastrais, pedidos de reativação de benefícios e, segundo a denúncia, fraudes em perícias.
Havia ainda o grupo dos “dublês biométricos” e o núcleo responsável pelos saques e pela gestão financeira dos valores obtidos com as fraudes.
Na ação apresentada à Justiça Federal, o MPF pediu, além da condenação dos denunciados, a manutenção das prisões preventivas, o ressarcimento integral dos mais de R$ 86 milhões desviados e o bloqueio de bens dos investigados.