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Prefeitura de Poços de Caldas pede que Estado não autorize mineração de terras raras próxima à população - Rádio Rede FM


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Prefeitura de Poços de Caldas pede que Estado não autorize mineração de terras raras próxima à população

A Prefeitura de Poços de Caldas enviou ofícios à Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Semad) e à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) solicitando que não seja autorizada a mineração de terras raras nas áreas próximas à população da cidade.

Terras raras são minerais estratégicos usados em tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa.

Atualmente, a mineradora australiana Viridis está em fase de licenciamento para instalar uma mina de terras raras de 373 hectares em Poços de Caldas. O empreendimento fica ao lado de 14 bairros que abrigam 60 mil pessoas na Zona Sul. Em alguns pontos, as escavações previstas ficarão a 300 metros de casas, escolas e hospitais.

Mineradora faz perfuração de sondagem em área de futura mina de terras raras em Poços de Caldas, MG — Foto: Viridis/DivulgaçãoMineradora faz perfuração de sondagem em área de futura mina de terras raras em Poços de Caldas, MG — Foto: Viridis/Divulgação

A mineradora Viridis teve seus direitos de exploração adquiridos em agosto de 2023. O protocolo oficial de investimentos foi assinado em 29 de fevereiro de 2024.

O projeto está em fase de licenciamento. Atualmente, a empresa realiza perfurações de sondagem que retiram amostras de solo para quantificar o volume de minério disponível.

Em vídeo postado em suas redes sociais, o prefeito Paulo Ney (PSD) disse que os documentos também solicitam mais informações sobre os impactos ambientais e sociais da mineração.

Ainda de acordo com o prefeito, também foi enviado um ofício à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado solicitando um regime especial de tributação para novas empresas de mineração de terras raras que venham se instalar no município.

Os ofícios foram enviados por meio do comitê que foi criado recentemente para acompanhar os projetos de exploração de terras raras.

Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Stefano Zincone, membro do conselho, o município pede mais diálogo dos responsáveis pelo licenciamento ambiental com os órgãos técnicos municipais.

“Nós encaminhamos algumas solicitações claras à Feam e à Semad, que são os órgãos responsáveis pelo licenciamento ambiental desses empreendimentos minerários no nosso território, solicitando que as futuras cavas não estejam próximas da zona urbana, que tenha garantias claras de que a qualidade da água não seja afetada e não afete a população, e que as medidas de compensação e contrapartida desse empreendimento fiquem restritas ao nosso município”, disse.

g1 entrou em contato com a mineradora Viridis para saber como a empresa se posiciona diante dos ofícios da prefeitura e aguarda o retorno.

Moradores temem mineração

Moradores da Zona Sul de Poços de Caldas temem a mineração de terras raras próxima as suas casas e pedem mais estudos sobre os seus impactos.

“A mineração de terras raras é um universo totalmente novo que poucos conhecem, e a sensação que eu tive é que a cidade está acelerando o processo sem estudar os impactos que isso terá, não somente para a Zona Sul, mas para todo Planalto de Poços de Caldas”, afirma a funcionária pública Milca Aparecida Albino Silva, moradora do Conjunto Habitacional Pedro Afonso Junqueira.

INFOGRÁFICO: projeto de terras raras avança sobre bairros em Poços de Caldas, no Sul de MG — Foto: Arte/g1

INFOGRÁFICO: projeto de terras raras avança sobre bairros em Poços de Caldas, no Sul de MG — Foto: Arte/g1

De acordo com a organização Terra Viva, Água Rara, a região da mineração é um importante repositório de águas, com 93 nascentes, das quais três deverão ser extintas. Há ainda duas que poderão ser comprometidas, uma severamente ameaçada e uma vulnerável a impactos minerários. A empresa responsável admite que três nascentes serão afetadas, mas não fala em extinção.

Há ainda a apreensão com uma possível contaminação do lençol freático pela amônia que será utilizada no processo de tratamento da argila retirada do solo para a separação dos elementos terras raras. A organização diz sentir falta de estudos independentes e acha que é preciso mais tempo para determinar os impactos ambientais e sociais antes da instalação da mineração.

Fonte: g1.globo.com

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