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O trecho que liga a Região Metropolitana de BH às cidades históricas de Mariana e Ouro Preto, na Região Central de Minas, e segue até Rio Casca, na Zona da Mata, ganhará praças de pedágio em menos de um ano. A informação foi confirmada pela concessionária que assumiu a gestão das rodovias. O valor do contrato de concessão do trecho, batizado de Via Liberdade, é de R$ 5 bilhões e vale por 30 anos.
Serão quatro pedágios a serem instalados nos 190,1 quilômetros que abrangem parte da BR- 356, MG-262 e MG-329. A intenção é instalar os pedágios eletrônicos em sistema de livre passagem (free flow) até 2027. Eles ficarão localizados entre Nova Lima e Itabirito; Ouro Preto e Itabirito; Mariana e Ponte Nova; e entre Ponte Nova e Rio Casca. O motorista que trafegar pelo trecho terá que desembolsar a quantia mínima de R$ 5,58 (totalizando R$ 22,32 no percurso completo).
A instalação de pedágios é criticada por prefeitos das cidades da região. Para Juliano Duarte (PSB), de Mariana, a concessão, que é fruto de um acordo de reparação com a cidade, não deve ter custos para os moradores. “É um insulto cobrar do cidadão marianense, já que a obra é feita com dinheiro do município”, destaca.
O projeto foi implantado a partir do Novo Acordo de Mariana, que tem o objetivo de reparar os danos causados pelo desastre socioambiental provocado pelo rompimento da Barragem do Fundão em 2015, que resultou na morte de 19 pessoas e na liberação de 40 milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração. O acordo foi assinado em 2024 por representantes da Justiça – Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG) –, além das empresas responsáveis pela barragem – Samarco, Vale e BHP. Ele prevê mais de R$ 81 bilhões em investimentos sociais, econômicos e ambientais no estado, dos quais R$ 1,7 bilhão são destinados para a concessão da Via Liberdade.
A empresa Rota da Liberdade S.A. é a responsável pela administração do trajeto, que atravessa 11 municípios: Nova Lima, Rio Acima, Itabirito, Ouro Preto, Mariana, Acaiaca, Barra Longa, Ponte Nova, Urucânia, Piedade de Ponte Nova e Rio Casca.
O trecho conecta não somente as duas cidades históricas, mas também Nova Lima, na Região Metropolitana de BH, ligando até a cidade de Rio Casca, na Zona da Mata.
A empresa promete mudanças iniciais, como a recuperação emergencial do asfalto, eliminação de buracos e panelas, substituição e adequação das placas e faixas de sinalização. A concessionária promete que a implementação dos quatro pedágios será feita somente após tais melhorias.
O contrato foi assinado em 12 de janeiro deste ano e prevê um acordo de 30 anos, com investimento de R$ 5 bilhões. A empresa fica obrigada a realizar a duplicação da BR-356 de Nova Lima até Mariana, a corrigir curvas críticas por todo o trecho, além de recuperar todo o segmento rodoviário e terceiras faixas nas MG-262 e MG-329. De acordo com a concessionária, as mudanças podem gerar uma redução no tempo de duração do percurso completo em até 38 minutos.
Junto com as obras, a concessão promete modernizar o atendimento ao usuário, com a instalação de um Ponto de Parada e Descanso (PPD) nas proximidades de Amarantina, uma área de escape na Serra da Santa, em Itabirito, atendimento 24 horas com suporte médico e mecânico, além de um Centro de Controle Operacional e bases de atendimento, que serão localizadas entre Itabirito e Ouro Preto, Mariana e Acaiaca e entre Acaiaca e Ponte Nova.
A concessão é regulada pela Agência Reguladora de Transportes do Estado de Minas Gerais (Artemig), responsável por fiscalizar o cumprimento de metas e do cronograma aprovado pelo governo estadual.
A segurança é um dos principais pontos de alerta no trecho. As três estradas contempladas pela Via Liberdade são responsáveis por rotas turísticas no estado e pela logística de escoamento da produção mineral e agrícola. Em 2024, de acordo com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade de Minas Gerais (Seinfra), elas receberam um volume médio diário de 39.447 veículos.
O trajeto assumido registrou no ano passado uma média de dois acidentes por dia – foram 873 ao longo dos 12 meses. Este ano, até 12 de maio, a média se mantém em dois acidentes por dia, 265 ao todo. A BR-356 é a que tem o maior número de ocorrências, principalmente nas cidades de Ouro Preto, Nova Lima e Itabirito. Os municípios lideram o ranking em ambos os anos.
Apesar das críticas, o prefeito de Mariana, Juliano Duarte, acredita que a obra traga melhorias para a região. “Temos acidentes todos os dias, o que vem trazendo um grande prejuízo para a cidade”, diz. Ele lembra que tragédias são constantes no trecho – só neste ano, foram três acidentes com mortes. Duarte considera que os marianenses são prejudicados com as más condições, já que a mobilidade até a capital mineira, além de demorada, é um risco de vida para quem precisa fazer o trajeto.
O planejamento inicial da Rota da Liberdade tem o objetivo de fazer intervenções urgentes nos trechos como recuperação emergencial do asfalto, com eliminação de buracos e panelas, substituição e adequação das placas e faixas de sinalização, roçada e limpeza da faixa de domínio e a manutenção dos sistemas de drenagem. A concessionária Rota da Liberdade S.A., adiantou que as primeiras intervenções nas pistas envolvem a instalação de 230 novas placas, 5 mil tachas refletivas (“olho de gato”) e 12 mil metros quadrados de faixas de sinalização revitalizadas.
A situação de Ouro Preto envolve outra particularidade, já que a cidade histórica é composta por 12 distritos, metade deles envolvidos nos trechos concessionados. O prefeito Angelo Oswaldo, também presidente da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, apoia os pedágios desde que não afete o cotidiano dessas localidades. “Não podemos ter pedágio para andar na nossa própria casa”, defende. Segundo o prefeito, muitos trabalhadores da cidade moram nos distritos vizinhos, e a instalação de pedágios poderia comprometer a renda dos moradores que precisam fazer o trajeto.
Hoje, com 70 dias de operação, a empresa cumpriu boa parte do planejamento. Em um balanço parcial das atividades, mais de 19 mil metros de faixas horizontais foram revitalizadas ou implementadas ao longo da via. Também foram recuperados e instalados 614 m² de placas de sinalização. Ao longo da rodovia, com foco na Serra da Santa, em Itabirito, foram implementadas 2.925 tachas refletivas.
“Um dos principais destaques desse período é o avanço das ações de limpeza. Foram recolhidas mais de 40 toneladas de resíduos que não deveriam ser descartados na rodovia. Quanto à limpeza de drenagem, foram mais de 105 mil metros limpos e desobstruídos, volume que representa mais de cinco vezes o previsto inicialmente para esta etapa”, diz Fernando Carvalho, CEO da Rota da Liberdade.
CONCESSÃO DA ESTRADA
A duplicação da BR-356 com recursos do Acordo de Mariana foi anunciada em novembro de 2024 pelo governo do estado. Parte do valor (R$ 1,7 bilhão) das obras, estimado em R$ 5 bilhões, virá do acordo de repactuação do acordo de Mariana, e o restante será custeado pela Rota da Liberdade S.A. ,que venceu o leilão em setembro de 2025 na Bolsa de Valores, em São Paulo. O contrato da concessão foi assinado em 12 de janeiro de 2026, pelo ex-governador Romeu Zema (Novo).
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O governo de Minas espera que as obras melhorem o fluxo turístico, especialmente nas cidades históricas. O Executivo estadual também aposta em melhorias na logística de escoamento da produção mineral e agrícola da Região Metropolitana de BH à Zona da Mata.
NOVOS INVESTIMENTOS
Entre rodovias e ferrovias, Minas receberá mais de R$ 100 bilhões em investimentos em infraestrutura de transportes nos próximos anos. O volume foi anunciado em março, durante a terceira edição do Eloos Itatiaia – Ciclo Cidades e Infraestrutura, evento que debate desafios da infraestrutura no Brasil.
Minas soma R$ 62,5 bilhões em investimentos em rodovias concedidas e contratadas, com projetos já em execução e previsão de novos aportes. Para o setor ferroviário, são R$ 38 bilhões, com destaque para ampliação da malha e renovação de contratos, como a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), a Estrada de Ferro Carajás e a Estrada de Ferro Vitória a Minas.
As ampliações de obras abrangem diversas rodovias do estado. O Ministério dos Transportes dá andamento a 300 obras. Entre elas, a concessão BR-381/MG/SP (Fernão Dias), com um investimento de R$ 14 bilhões, obras na BR-135 – que tinha entrave de licenciamento de 20 anos – e em trechos das BRs 367 e 265.
Neste ano, a pasta federal listou mais 13 leilões de concessões rodoviárias no país. Entre julho e dezembro, deverão ocorrer certames para concessões de vias como a Régis Bittencourt (SP), Rota do Pequi (GO), Via Brasil (MT), Rota 2 de Julho (BA), Rota Integração e Portuária do Sul (RS), Rota do Café (PR) e os lotes da Malha de Santa Catarina.
Minas Gerais abriu o calendário, com o primeiro leilão de rodovias federais neste ano. Realizado em 31 de março, na B3, em São Paulo, o certame leilão 735km da Rota das Gerais, que inclui trechos mineiros da BR-116, de Governador Valadares à divisa com aBahia, e da BR-251 no Norte de Minas, de Montes Claros ao entroncamento com a BR-116, em Salinas. O projeto abrange trechos que conectam 24 municípios. Em seu lance no leilão, a concessionária ofereceu desconto de 19% sobre a tarifa básica de pedágio e aplicará R$ 13,16 bilhões, pelos próximos 30 anos. O contrato já foi assinado e a operação terá início em novembro.